segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

O escrever 5

"Escrevo por prazer: meu e das letras deleitosas.
(...) Escrevo para que o sangue corra seus abismos como se fosse águia e pela águia, pois ela faz poemas melhores que os meus quando voa.
(...) Escrevo para que a alma retorne ao corpo. A dor também é motivo.
(...) Escrevo para gozar e porque tenho bom vocabulário. E pelo poder de ser escritor. (...) Escrevo pelas máscaras que nos colocam.
(...) Escrevo para que o caçador em mim tenha mais cabeças de rinocerontes pregadas na parede. Por maldade. Por instinto. Por aquilo que não explico quando olham para meu texto e dizem que eu escrevo difícil. Escrevo porque é fácil ser difícil. A simplicidade é para os gênios. Eu não sou gênio. Sou mais um cego teimoso.
(...) É necessário inventar a vida. Por isso escrevo: eis meu lance de dados.
Escrevo porque ainda não pediram para eu parar. E é a melhor forma que eu conheço de mandar mensagens subliminares. Por covardia. Por alegria. (...) Escrevo por estar preso nesse cárcere e porque aprendi desde cedo a mentir".

(Rubens da Cunha, p. 162, livro: Aço e Nada. Ed: Design Editora, 2007)

A crônica na íntegra é de se ler em um fôlego só. Estupenda!
Leio-a e releio-a sem cansar.

Í.ta**

2 comentários:

Rubens da Cunha disse...

Obrigado pela citação, amigo.
a Nina Simone é uma coisa. Procura no you tube uma maluca chamada Diamanda Galas... também do cacete :))

abraços

Enzo Potel disse...

essa crônica
é uma das urnas mais ricas
do Aço e Nada...
ela consegue racionalizar
sem melecar
os desejos do espírito!

abraço!