domingo, 2 de dezembro de 2007

A leitura e suas práticas

A leitura apresenta-se como elemento imprescindível para a formação do ser humano como cidadão, possibilitando-lhe o viver em sociedade, na compreensão do passado e do presente, e na oportunidade de transformação futura (SILVA, 1997).
Cultua-se, desde os primórdios da prática da leitura, que o ato de ler está estritamente relacionado ao livro, enquanto objeto. Mais ainda, a um livro literário (em casos mais extremos, a um livro de literatura clássica). Algumas interpretações, menos radicais, relacionam o ler à leitura também de revistas e de jornais. Entretanto, faz-se necessária uma nova maneira de se observar – e de se praticar – a leitura.
Quando se afirma que através da leitura o ser humano pode se desenvolver enquanto um cidadão social, inserido em uma sociedade com direitos e deveres, e enquanto um sujeito, com sua individualidade e essência, de maneira nenhuma se pode estreitar essa prática de leitura à leitura somente de livros, de revistas ou de jornais, com isso correndo-se o risco, presente ainda, de diminuir-se as práticas de leituras e interpretações, tanto quanto o de leitores, existentes.
Ler transcende a força que a própria palavra carrega em si. Ler é enxergar além do campo de visão que um olhar abrange. Ler é transbordar pelas páginas e amolecer a dureza que as palavras contêm quando isoladas, quando não sentidas – lidas. Ler é alcançar um porto antes nunca alcançado por alguém. É criar um sentido próprio a si mesmo e ao mundo ao redor de si. É manter-se firme e seguro num terreno tortuoso, ora belo, ora traiçoeiro. É encontrar-se em um eu ainda desconhecido. Ler comporta diversas práticas, milhares de significados, diferentes estados de espírito.
Manguel, em seu livro “Uma história da leitura” (Companhia das Letras, 1997), apresenta vários exemplos de leitores existentes, que pouco se pára pra pensar que são também leitores, como, por exemplo, o astrônomo que lê um mapa de estrelas, o jogador que lê os gestos do parceiro antes de jogar a carta, o público que lê os movimentos da dançarina no palco, e o amante que lê cegamente o corpo amado.
A leitura, como é possível de se observar com os exemplos acima, abrange diversos horizontes, práticas e sujeitos. Ela jamais pode ser limitada ao texto escrito, muito menos a um só significado existente em cada frase, imagem, fala ou expressão. Existem diversas maneiras de se ler e de ser leitor. Conforme as palavras de Manguel, “lemos para compreender, ou para começar a compreender. Não podemos deixar de ler. Ler, quase como respirar, é nossa função essencial”.
Ítalo Puccini - Acadêmico da 6a fase do Curso de Letras Licenciatura do Centro Universitário de Jaraguá do Sul/SC - UNERJ.

(artigo publicado no jornal ANotícia de 01-12, pág. 3.)

Í.ta**

Um comentário:

Rubens da Cunha disse...

belo texto...
abraços