quarta-feira, 18 de julho de 2007

Literatura: representação da vida

A Literatura é vida


Ítalo Puccini - Acadêmico do Centro Universitário de Jaraguá do Sul (Unerj)/italopuccini@yahoo.com.br

O ensino da literatura e de qualquer outra disciplina escolar pressupõe a reflexão, por parte do professor, de sua própria prática educativa, capaz de transferir conceitos e atitudes junto ao leitor, seu educando. Com isso, torna o ensino mais dinâmico e produtivo. Literatura é arte e, como arte, é a manifestação do real e/ou do imaginário, que pode advir ou transformar-se em algo real.
Literatura é vida. É expressão do pensar através da escrita. É criação de sentidos. Todo sentido pede, antes que seja construído, o ato de decifrar o que se tem escrito.Criar sentido para um objeto simbólico significa ler. O leitor que não cria seu sentido próprio não realiza propriamente uma leitura, não passa da decifração de códigos escritos. É com o auxílio do professor que o leitor-aluno poderá ultrapassar o estágio de decifração, vindo a construir seus próprios significados junto aos textos literários com os quais se depara.
Ser leitor é, entre outras ações, falar com o texto, criar e recriar sentidos, relacionar o texto a outros já lidos e a situações vividas (intertextualidade). Ser leitor é também compreender as ideologias presentes em cada texto e o fato de um texto nunca apresentar sentidos completos (incompletude). Para Sartre, sem um leitor, o texto nada mais é do que sinais soltos no papel, uma vez que, conforme Manguel (1997), “é o leitor que lê o sentido; é o leitor que confere a um objeto, lugar ou acontecimento uma certa legibilidade possível, ou que a reconhece neles; é o leitor que deve atribuir significado a um sistema de signos e depois decifrá-lo”.
Logo, formar leitores significa trabalhar para a conscientização do aluno como um sujeito/cidadão crítico, ciente de sua capacidade de dialogar com os textos, crente na relatividade das coisas do mundo, na sua liberdade de interpretação de todo e qualquer objeto simbólico com o qual venha a ter contato.
Nessa perspectiva, o ensino da literatura enseja que o professor tenha consigo uma concepção clara do que seja aprendizagem, e da importância que se dá à linguagem nesse processo, enquanto elemento de mediação da compreensão que se desenvolve com o mundo e consigo mesmo. Esse mesmo ensino abrange diferentes tipos de textos e variadas metodologias, que devem sempre oportunizar ao aluno o direito de falar, de expor sua opinião, de discordar e de concordar, de relacionar as leituras que faz à realidade em que vive, de perceber que não há sentido único e fechado para qualquer texto e, com isso, de que é também produtor de textos, baseado em sua ideologia, constituída socialmente. Dessa forma, pode-se encorajar o aluno-leitor a expandir suas leituras, construindo uma relação mais íntima, curiosa e de encantamento junto aos livros.
Artigo publicado no jornal ANotícia - circulação estadual - de 14/07/2007, p. 3
Í.ta**

Um comentário:

Rubens da Cunha disse...

legal, e este livro do Menguel é grandioso mesmo.

abraços
Rubens