terça-feira, 5 de junho de 2007

Cidadania crítica

Criticidade e consciência não se separam. O sujeito que tem a consciência de si mesmo e da sociedade na qual atua é um sujeito crítico. E justamente é um sujeito crítico por ter a consciência de que através de seu grau de criticidade ele entende a si mesmo e ao mundo à sua maneira, e, a partir desse seu entendimento, faz acontecer nesse próprio mundo. É uma relação em que os elementos são inseparáveis. É o despertar da consciência que faz nascer e se desenvolver numa pessoa o senso crítico. E é o senso crítico que desenvolve nessa pessoa a consciência de si mesma e do mundo no qual ela atua.

Ser cidadão crítico quer significar, primeiramente, uma pessoa ciente de si e do mundo no qual vive. Uma pessoa que sente a si mesma dentre tantos bilhões de pessoas. Uma pessoa ciente de suas responsabilidades, de seu papel atuante em uma sociedade, não só para consigo mesmo, mas, mais importante ainda, para com as outras pessoas com as quais convive. Uma pessoa consciente de que é alguém no mundo, e um alguém que faz a diferença através de sua ação – ação esta que não ocorre senão precedida por um pensamento, este que deveria fazer pesar em balanças diferentes o que de positivo e de negativo pode acarretar tal ação. É a consciência que no ser humano age. É aquele que não aceita somente um ponto de vista, que sabe da existência de variáveis para tudo o que se afirma absoluto, sensível o suficiente para respeitar as diferenças culturais existentes. É aquele que crê na relatividade de tudo o que acontece.

A leitura – esta que, segundo as palavras de Silva (2001), “pode servir como um instrumento que liberta o homem da alienação e abre sua cabeça para enxergar as ideologias que estão por trás das coisas que o cercam” – pode ser apontada como o meio mais eficiente para se alcançar o senso crítico. É ela quem pode fazer surgir no ser humano a consciência da qual ele necessita para situar-se no mundo e se perceber como um cidadão crítico importante e atuante em uma sociedade. O ato de ler – independentemente do como e do o que se lê – está diretamente relacionado ao desenvolvimento da consciência do ser humano como cidadão participante de uma sociedade, dentro da qual ele possui direitos e deveres a cumprir, como também ao desenvolvimento do ser que cria uma ideologia, esta que o faz pensar e agir.

O ser humano, ao fazer uso constante da leitura, passa, com o tempo de prática, a desenvolver em si virtudes e aptidões anteriormente “apagadas”, tudo isso pelo fato de que, ao adotar a leitura como atividade de prática constante em sua vida, ele, ser humano, passa a melhor conhecer-se e a compreender-se, assim como a compreender o mundo e o que realmente quer significar esse ato de ler que ele pratica. Compreensão é fruto de leitura, assim como consciência crítica. Elementos indissociáveis; alimentos do espírito para o humano.
Ítalo Puccini*

* Estudante da 5ª fase do Curso de Letras Licenciatura do Centro Universitário de Jaraguá do Sul – UNERJ.

(publicado no jornal ANotícia de sábado, 02/06/2007, p. 3).

Um comentário:

Guilan disse...

"Aqueles" fazem de tudo para suprimir a criticidade nos indivíduos.