sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007

intuir


"Intuindo perguntas irrespondíveis ou respostas imperguntáveis, pressinto e sinto, não imagino, não penso, não faço a menor idéia do que estou vendo na clara evidência da clarividência. E, no entanto, estou vendo para além das idéias e da imaginação. Pois intuir é ver o invísivel".

(Gabriel Perissé. A leitura observada. 2006)


A leitura propicia a intuição – esse algo 'puro risco'. O leitor, ao intuir, passa a caminhar por um novo caminho, ainda não explorado, ainda não imaginado – ainda não intuído por alguém. Passa a andar para trás, indo de encontro a alguma possível razão absoluta pré-determinada. E justamente por andar de costas acabará, esse leitor, esbarrando no que deixou de ver, no que antes ninguém havia visto, por estarem todos andando de frente, sem intuição. Conforme deixou claro Perissé,


"A intuição abre acessos novos e diretos a níveis da realidade que pareciam inexistir (afinal, estávamos de costas para eles!). Ao caminharmos de forma não-costumeira, subitamente podemos sentir o sentido da vida. Não só o meu sentido da vida, ou o sentido da vida do autor, mas o sentido da vida do próprio ser humano. Começamos a tocar aquilo que ainda não alcançamos, porque estávamos nos distanciando dele, na ilusão de que seguíamos na direção correta, no caminhar sempre em frente, considerando o único verdadeiro caminhar progressivo" (2006, p. 16).
Í.ta**

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