segunda-feira, 22 de janeiro de 2007

rabiscos


o sentido da vida é o próprio sentir: o azul, a grama, o vento, o SER, o lençol, a lágrima, o riso. explicar o sentir, quanto mais o sentido da vida, é ofensa à própria vida e ao próprio sentimento. pois nada mais puro que o sentir do calor de um beijo, do frio de um "adeus"; nada mais rígido e incompreensível que o EXPLICAR do SENTIR.
(...)
como lâmina a beijar-lhe a face, a mão dela. como ácido com gosto de líquido açucarado, o beijo dela. ilusões tortas-torcidas-tortuosas.
(...)
sentira, durante todo o longo dia, vontade de esvaziar ainda mais seu Ser. tentara chorar: lutara em vão contra si mesmo. isolado pensara. isolado sentira. isolado isolara-se. e sozinho falara. e abraçara a si mesmo. beijara o próprio corpo. amara e gozara sob si. sentira-se: um ato de Ser e sentir. o quanto dali restara até hoje é mistério em um coração puro. apenas, sentira. e sentindo deixara de pensar, e não pensando aceitara o que sentia. dara voltas em si mesmo, mas, sem a pretensão do céu, encontrara-se, a cada volta, renovado. a pureza da alma encobrindo-lhe do frio e da dor, ganhando externamente seu Ser, abrigando-o numa singela rede de um abrigo: o amor.

Í.ta**

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