domingo, 28 de janeiro de 2007

Tempo perdido III


"Não tenho medo do escuro
Mas deixe as luzes acesas -
agora.

O que foi escondido é o que se escondeu
E o que foi prometido, ninguem prometeu
Nem foi tempo perdido
Somos tão jovens
Tão jovens
Tão jovens".
(R.Russo)

Í.ta**

sábado, 27 de janeiro de 2007

Tempo perdido II


"Veja o sol dessa manhã tão cinza
A tempestade que chega é da cor dos teus olhos
Castanhos.
Então me abraça forte
E diz mais uma vez
Que já estamos distantes de tudo
Temos nosso próprio tempo".
(R.Russo)

Í.ta**

sexta-feira, 26 de janeiro de 2007

Tempo perdido I


"Todos os dias quando acordo
Não tenho mais o tempo que passou
Mas tenho muito tempo:
Temos todo o tempo do mundo
.

Todos os dias antes de dormir
Lembro e esqueço como foi o dia
Sempre em frente
Não temos tempo a perder.

Nosso suor sagrado
É bem mais belo que esse sangue amargo
E tão sério
E selvagem
E selvagem
E selvagem".
(R.Russo)

Í.ta**

quarta-feira, 24 de janeiro de 2007

segunda-feira, 22 de janeiro de 2007

rabiscos


o sentido da vida é o próprio sentir: o azul, a grama, o vento, o SER, o lençol, a lágrima, o riso. explicar o sentir, quanto mais o sentido da vida, é ofensa à própria vida e ao próprio sentimento. pois nada mais puro que o sentir do calor de um beijo, do frio de um "adeus"; nada mais rígido e incompreensível que o EXPLICAR do SENTIR.
(...)
como lâmina a beijar-lhe a face, a mão dela. como ácido com gosto de líquido açucarado, o beijo dela. ilusões tortas-torcidas-tortuosas.
(...)
sentira, durante todo o longo dia, vontade de esvaziar ainda mais seu Ser. tentara chorar: lutara em vão contra si mesmo. isolado pensara. isolado sentira. isolado isolara-se. e sozinho falara. e abraçara a si mesmo. beijara o próprio corpo. amara e gozara sob si. sentira-se: um ato de Ser e sentir. o quanto dali restara até hoje é mistério em um coração puro. apenas, sentira. e sentindo deixara de pensar, e não pensando aceitara o que sentia. dara voltas em si mesmo, mas, sem a pretensão do céu, encontrara-se, a cada volta, renovado. a pureza da alma encobrindo-lhe do frio e da dor, ganhando externamente seu Ser, abrigando-o numa singela rede de um abrigo: o amor.

Í.ta**

corpos

"os lábios se tocaram ásperos
em beijos de tirar o fôlego
tímidos tranzaram trôpegos
e ávidos gozaram rápido".

("formato mínimo")

Í.ta**
à lua.

terça-feira, 16 de janeiro de 2007

surpresa

ele chegou junto ao ouvido dela
e disse -
num suspiro que a arrepiou
TODA:

- o que eu mais quero é ficar COM VOCÊ.

Í.ta**
à lua

domingo, 14 de janeiro de 2007

Amor

"Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem e é fã do Caetano. Isso são só referências. Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca. Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que se revela quando menos se espera. Amar não requer conhecimento prévio nem consulta ao SPC. Ama-se justamente pelo o que o amor tem de indefinível. Honestos existem aos milhares, generosos têm às pencas, bons motoristas e bons pais de família, tá assim, ó. Mas ninguém consegue ser do jeito que o amor da sua vida é". - Martha Medeiros.

(trecho extraído da crônica "As razões que o amor desconhece" (1998), presente no livro "Trem-bala", 2006. p. 100).

Í.ta**

quinta-feira, 11 de janeiro de 2007

Formato mínimo

"Começou de súbito
A festa estava mesmo ótima
Ela procurava um príncipe
Ele procurava a próxima.

Ele reparou nos óculos
Ela reparou nas vírgulas
Ele ofereceu-lhe um ácido
E ela achou aquilo o máximo.

Os lábios se tocaram ásperos
Em beijos de tirar o fôlego
Tímidos, transaram trôpegos
E ávidos, gozaram rápido.

Ele procurava álibis
Ela flutuava lépida
Ele sucumbia ao pânico
E ela descansava lívida.

O medo redigiu-se ínfimo
E ele percebeu a dádiva
Declarou-se dela, o súdito
Desenhou-se a história trágica.

Ele, enfim, dormiu apático
Na noite segredosa e cálida
Ela despertou-se tímida
Feita do desejo, a vítima.

Fugiu dali tão rápido
Caminhando passos tétricos
Amor em sua mente épico
Transformado em jogo cínico.

Para ele, uma transa típica
O amor em seu formato mínimo
O corpo se expressando clínico
Da triste solidão, a rúbrica".

(Composição: Samuel Rosa - Rodrigo F. Leão)

**somente ouvindo-a para senti-la intensamente.
Atenção à última palavra de cada verso.
A paixão pode-se revelar nos mínimos detalhes.
Quando menos se espera - e se quer - ela golpeia.

Í.ta**

quarta-feira, 10 de janeiro de 2007

quinta-feira, 4 de janeiro de 2007

Ilusão


"Só uma ironia muito negra pretenderia fazer crer que alguém é realmente bem-vindo a este mundo, o que não contradiz a evidência de alguns se acharem bem instalados nele".

(José Saramago - História do Cerco de Lisboa)

Í.ta**

quarta-feira, 3 de janeiro de 2007

SER

Não me obrigo a ser
NINGUÉM
Além daquele que sou:
SER ilusório;
Visão precipitada: precipício
de uma própria vida.

Às vezes me entrego ao desejo
de ser corpo.
Às vezes refugio-me em meu
espírito
Sou a companhia
da alma que me grita.

Crio raízes em pântanos-terra
Na lama tomo meu banho
Entre espinhos me escondo
Sinto-me perdido em palavras traiçoeiras.

Cuspo versos que me clamam liberdade
Contradição:
São eles quem me sufocam
São eles quem me aliviam (mesmo que fugazmente).

Atropelo tempo, calendário e buracos-negros
Me engasga a solidão que me torna presa
- de minha própria MENTE
Nos escombros deparo-me com pedaços que são meus.

Í.ta**

(Nada te cura senão tu mesmo - Nietzsche).

terça-feira, 2 de janeiro de 2007

Pais e filhos



"Sou uma gota d'água.

Sou um grão de areia.

Você me diz que seus
pais não entendem
Mas você não entende
seus pais".

(R.Russo)

Í.ta**