segunda-feira, 11 de setembro de 2006

escrevo

arranha-me
o olhar
de um cego,
com a precisão
de quem se esconde
em meu interior,
nele brincando
de cabra-cega,
abrindo buracos (vazios)
impedindo-me de preenchê-los:
SER frágil que SOU.

Meu desejo é expressar-me.
Ser um pseudo-verídico
Encontrar na contradição
um abrigo,
nas palavras uma fuga
ao mesmo tempo uma procura:
a explosão íntima de um SER
F-R-A-G-M-E-N-T-A-D-O.

Quero e não consigo.
O meio do qual me utilizo
é o mesmo que me trava
a porta da mente
e abre-me ao meu caos-interior,
elimina minhas forças
suga-me as energias
alimenta minha alma de uma esperança
que machuca:
eu a aceito e a provo.

Í.ta **

Um comentário:

treslados disse...

"quanto mais escrava
mais escrevo
pra libertar essa mulher da vida
que me habita". (Martha Medeiros)

[treslados]