sexta-feira, 28 de julho de 2006

Sonhos


durmo-escuro:
em minha alma
um cobertor
em meu corpo a cama dura
e insensível
sob a qual todas as noites me deito.

rasgo o papel,
acendo um fósforo
[coloco-os em contato]
Ainda o coração apertado
e o ar sufocante na garganta.
destruo palavras (sentimentos):
eternas responsáveis pela essência
prática de meu SER.

faço do fogo meu sangue
do PENSAR uma faca de dois gumes
do SENTIR a razão:
continuo arriscando viver
[...]

Í.ta **

quinta-feira, 27 de julho de 2006

refúgio


veio um anjo visitar-me
durante meu sono
e, como que num desejo de boa-noite,
disse-me:
"refugie-se na sua mente".

Ele apenas esqueceu
de me indicar o modo
através do qual
eu alcançaria esse estágio.
Acordei, então, como fui dormir,
com a sensação de que
ainda há um segredo dentro de mim;
e eu? não sei.

Í.ta **

segunda-feira, 24 de julho de 2006

SEM TI



Se sentir é o que é
Hoje eu sinto medo de
pensar.

Mania barata a minha
De buscar uma compreensão
para tudo o que vivo
ou deixo de viver.

Se isso (escrever) é o que faço
Por algum motivo é feito
- efeito de mim mesmo
sob meu 'eu'
[perturbador inconsciente].

Aqui as palavras me revelarão
Ou o contrário: revelarei-as.
Não me perguntes o por quê
Apenas me deixe SER
e sejas!

Assim chegarás mais perto de mim
De dois poderemos formar UM: essência.
Nas entre-linhas de letras e sentimentos
O vazio preenchido pelo outro:
[amor].

Í.ta **