segunda-feira, 25 de dezembro de 2006

"Eu sei; Clarisse"

"Somos pássaro novo longe do ninho".
(Renato Russo)

"Eu sou pássaro
Me trancam na gaiola
E esperam que eu cante como antes.
Eu sou pássaro
Me trancam na gaiola
Mas um dia eu consigo existir
E vou voar pelo caminho mais bonito".
(Renato Russo)

congelados por algo a que denominam de sistema.


Í.ta**

domingo, 24 de dezembro de 2006

"Conexão amazônica"


"Mas alimento pra cabeça nunca vai matar a fome de ninguém"
(Renato Russo)

onde está o seu foco?

Í.ta**

Renato Russo, Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá



"Durante um mês, ele, Renato e Marcelo foram trabalhando um repertório que pudesse preencher o tempo previsto para cada apresentação, algo entre 30 e 40 minutos. Muitas músicas ainda estavam apenas no baixo e na bateria, como "Soldados". Os três entendiam-se muito bem. Fechavam-se na sala do Brasília Radio Center e começavam a jam. Normalmente a partir de uma batida de bateria. Às vezes de uma linha de baixo ou de um riff de guitarra. Iam em frente até trombar com alguma coisa que, devidamente burilada, ganhava uma letra, possivelmente esboçada nos cadernos de Renato. Era um processo de composição tranqüilo, instintivo, mas que não raro resultava em compassos inteiramente malucos. Súbito a música mudava de andamento antes de voltar para o tempo original. E, no entanto, se movia. A palavra é batida mas ainda vale: havia uma química poderosa ali. Talvez porque fossem pessoas de temperamentos musicais inteiramente distintos: Renato tinha a intuição, bolava coisas impossíveis na teoria que davam certo na prática; Marcelo era meio místico, achava que era tudo questão de captar melodias e climas; e Dado trazia com ele a razão, volta e meia repetindo que 'música é matemática'.

O guitarrista ainda chegou a tempo de co-assinar, por exemplo, 'Ainda é cedo' com os dois - e com seu antecessor, Ico. O repertório daquele que viria a ser o então pouco mais que sonhado primeiro LP, a ser gravado um ano e meio depois, estava quase todo lá naqueles ensaios. 'Teorema', 'Petróleo do futuro', 'Baader-Meinhof Blues', sem falar na herança do Aborto Elétrico, como 'Conexão amazônica'. Eram rocks doutrinariamente singelos, movidos pela energia punk mas com vôos mais altos nas letras. Afinal, 'Ainda é cedo' era uma canção de amor, ou melhor, um flagrante doloroso do amor se transformando em desamor. Quer coisa mais triste do que 'Falamos o que não devia/ Nunca ser dito por ninguém/ Ela me disse: eu não sei mais o que eu sinto por você/ Vamos dar um tempo, um dia a gente se vê'? 'Teorema' escondia uma private joke sobre sexo oral em seus versos introdutórios: 'Não vá embora/ Fique um pouco mais/ Ninguém sabe fazer/ O que você me faz'. E tanto ela quanto 'Petróleo do futuro' mostravam uns garotos que faziam perguntas ('Ah, se eu soubesse lhe dizer/ O que fazer para todo mundo ficar junto/ Todo mundo já estava há muito tempo') ao mesmo tempo que já arriscavam algumas respostas ('Não tenha medo/ Não preste atenção/ Não dê conselhos/ Não peça permissão/ É só você quem deve decidir o que fazer/ Para tentar ser feliz')."

("O Trovador Solitário", de Arthur Dapieve. 2006, pp. 64-65).

Í.ta**

sábado, 23 de dezembro de 2006

Vento no litoral

O retrato da dor causada por uma partida repentina, para o sempre. O fim de um relacionamento. O desequilíbrio emocional de Renato Russo. De repente, Robert Scott, a grande paixão (ou amor seria melhor?) da vida de Renato, vai embora do Rio de Janeiro, do apartamento em que ambos moravam, para nunca mais voltar. Sem justificar-se de nada. Apenas a ação de ir. E no líder da Legião Urbana fica um profundo corte a perfurar-lhe o coração, o corpo e a alma, chamado perda.

Renato sabia que nesse mundo ninguém é dono de ninguém (ao menos não deve ser). Não se considerava dono de Scott – rapaz a quem conhecera em uma de suas passagens por Nova Yorque – nem se via como servo do mesmo. A perda sentida não era de Scott, enquanto corpo, enquanto homem. A dor relacionava-se ao amor interrompido bruscamente, aos sentimentos únicos vividos entre os dois, nos rápidos dois anos em que viveram juntos no RJ. A dilacerante perda era de duas almas que longe uma da outra pouco provável sobreviveriam, Renato sentia isso.

Será Scott não se considerava merecedor de um amor tão intenso e profundo quanto o que Renato sentia por ele? Será Scott não sentia poder contribuir a tanto amor? Não sentir com a mesma intensidade? E por isso preferiu partir, como forma de respeito ao sentimento puro de Renato? Será havia se esgotado em Scott aquela paixão que os unira? Nada se sabe. Apenas ficou o registro do quanto esse sentimento chamado saudade, aliado à dor, tomou conta do ser de Renato Russo, dilacerando-o com rapidez, num mesmo passo em que ele sentiu que deveria erguer-se e aprender a viver com essa faca pontuda dentro de si, fazendo o possível para não se deixar ferir demais por ela.

É o que fica claro nos versos de Vento no litoral. O desejo de deixar-se ir, “Eu deixo a onda me acertar / E o vento vai levando tudo embora”, e a sapiência de que se deve ficar: “Quando vejo o mar / Existe algo que diz: / - A vida continua e se entregar é uma bobagem”. A dor da perda de tudo o que se viveu e planejou junto, a ciência de que aquele sentimento não mais seria vivido, e o quanto seria doloroso seguir em frente somente com a lembrança do que um dia sentiu-se na prática, Renato demonstra ao cantar “Dos nossos planos é que tenho mais saudade / Quando olhávamos juntos na mesma direção (...) Agimos certo sem querer / Foi só o tempo que errou / Vai ser difícil sem você”.

O poeta apresenta o quanto o sentimento por Scott permaneceria consigo até o último dia de sua vida, e que jamais seria possível apagar as marcas que ficaram no seu ser. Canta ele “Aonde está você agora / Além de aqui dentro de mim? (...) Porque você está comigo o tempo todo”. Ao mesmo tempo sabia que deveria se erguer, seguir em frente, por si e por quem, segundo o mesmo dizia, era a verdadeira Legião Urbana: o público, os fãs. A consciência de que, apesar de toda a dor a cortar-lhe a alma a fundo, ele teria que, a partir daquela ruptura brusca, viver por si mesmo, sentir-se bem consigo mesmo, está expressa nos versos: “Já que você não está aqui / O que posso fazer é cuidar de mim / Quero ser feliz ao menos / Lembra que o plano era ficarmos bem?”.

Renato parecia saber que através da escrita de seus versos e das composições das músicas da banda ele poderia ajudar-se a superar tal perda. É o que demonstra ao cantar “Sei que faço isso pra esquecer”, este isso em referência ao processo de produção dos versos e da música, momento em que o poeta sentia que valeria a pena seguir em frente.

Vento no litoral é uma das mais belas músicas escritas e cantadas por Renato Russo. Pouco mais de cinco minutos de duração que levam um ouvinte sensível a sentir-se sob as pedras lisas de um mar agitado, sendo levado pelas ondas, acompanhado pela ajuda do vento, tirando de si as marcas indeléveis que uma paixão interrompida causara. Num mesmo instante em que se pode visualizar o movimento das ondas trazendo de volta à beira da praia o mesmo ser anteriormente engolido, agora já mais leve, sem tal faca cortante dentro de si chamada saudade, e pronto para seguir em frente por si mesmo, relembrando com carinho e respeito o que um dia tornara-se amor vivido na prática.

Na versão ao vivo da música, no disco Como É Que Se Diz Eu Te Amo, Renato diz: "Eu cheguei à conclusão de que se o amor é verdadeiro não existe sofrimento, senão fica um cara doente como o cara dessa música agora", e começa a cantar os versos de Vento no litoral. A consciência do estado no qual ele ficara com a partida para sempre de Scott. E o reflexo principal do fim desse amor, no autor dos versos dessa música, é o cetismo que passou a tomar conta dele no que se refere a um possível amor verdadeiro nessa vida terrena.
Uma obra prima de alguém que sempre deixará nos seus eternos admiradores esse mesmo sentimento que o consumiu por certo tempo: saudade.

Í.ta**

quarta-feira, 20 de dezembro de 2006

Vento no litoral - VI


"Sei que faço isso pra esquecer
Eu deixo a onda me acertar
E o vento vai levando tudo embora".
(R.Russo)

the end
Í.ta**

terça-feira, 19 de dezembro de 2006

Vento no litoral - V


"Ei, ei, ei, ei, ei
Olha só o que eu achei:
- cavalos-marinhos".
(R.Russo)

para N.
com suave carinho

Vento no litoral - IV


"Já que você não está aqui
O que posso fazer é cuidar de mim
Quero ser feliz, ao menos
Lembra que o plano era ficarmos bem".
(R.Russo)

domingo, 17 de dezembro de 2006

Vento no litoral - III


"Agimos certo sem querer
Foi só o tempo que errou
Vai ser difícil sem você
Porque você está comigo o tempo todo
E quando vejo o mar
Existe algo que diz
Que a vida continua
E se entregar é uma bobagem"
(R.Russo)

quinta-feira, 14 de dezembro de 2006

Vento no litoral - II


"Agora está tão longe,
a linha do horizonte me distrai
Dos nossos planos é que tenho mais saudades
Quando olhavamos juntos na mesma direção
Aonde está você agora além de aqui
Dentro de mim?"
(R.Russo)

quarta-feira, 13 de dezembro de 2006

Vento no litoral - I


"De tarde quero descansar
Chegar até a praia, E ver
se o vento ainda está forte, E vai
ser bom subir nas pedras, Sei
que faço isso pra esquecer
Eu deixo a onda me acertar
E o vento vai levando tudo embora
".
(R.Russo)

domingo, 19 de novembro de 2006

"vila do sossego"


Quanto mais penso - e sinto -
tão mais LOUCO fico.
Quanto por mais feliz e conformado estou
mais idiota me estrago.

prefiro a LOUCURA à idiotice.

Í.ta**
("vila do sossego", na voz de Cássia).

sábado, 11 de novembro de 2006

Moinho

"Ouça-me bem, amor, preste atenção
O mundo é um moinho
Vai triturar teus sonhos tão mesquinhos
Vai reduzir as ilusões ao pó
Preste atenção, querida
Em cada amor, tu herdarás só o cinismo
Quando notares estás à beira do abismo
Abismo que cavaste com teus pés"
(cartola)

na voz de Cazuza
...

sexta-feira, 3 de novembro de 2006

Todo o amor que houver nessa vida

Eu quero a sorte de um amor tranqüilo
Com sabor de fruta mordida
Nós na batida, no embalo da rede
Matando a sede na saliva.
Ser teu pão, ser tua comida
Todo o amor que houver nessa vida
E algum trocado pra dar garantia.

E ser artista no nosso convívio
Pelo inferno e céu de todo dia
Pra poesia que a gente não vive
Transformar o tédio em melodia.
Ser teu pão, ser tua comida
Todo o amor que houver nessa vida
E algum veneno antimonotonia.

E se eu achar a tua fonte escondida
Te alcance em cheio o mel e a ferida
E o corpo inteiro, feito um furacão
Boca, nuca, mão e a tua mente, não.
Ser teu pão, ser tua comida
Todo o amor que houver nessa vida
E algum remédio que me dê alegria.

(Cazuza/Frejat)

a C.L.

segunda-feira, 2 de outubro de 2006

fuga


nem duvide da força interior de um louco
que não mais se subtrai em teu favor
mas, sim, soma os teus restos e
se constrói.

luta em vão contra as marés
e a natureza
crê ser Deus o maior inimigo;
trai-se ao enfrentá-lo.

adiante o susto: suspiro
a-lu-ci-na-ção
Sob as costas cinzas da parede feminina
degenera-se imoral.

respira por entre poros de dor:
um só vencedor
ou dois perdedores
ele mais (+) seu EU

Í.ta **

sábado, 16 de setembro de 2006

ÀS VEZES encontro-me
desequilibrado.
ÀS VEZES é-me possível
trabalhar as idéias
e os sentimentos
ao mesmo tempo
em que trabalho
a caneta e o papel.

TUDO,
às vezes.

Í.ta **

segunda-feira, 11 de setembro de 2006

escrevo

arranha-me
o olhar
de um cego,
com a precisão
de quem se esconde
em meu interior,
nele brincando
de cabra-cega,
abrindo buracos (vazios)
impedindo-me de preenchê-los:
SER frágil que SOU.

Meu desejo é expressar-me.
Ser um pseudo-verídico
Encontrar na contradição
um abrigo,
nas palavras uma fuga
ao mesmo tempo uma procura:
a explosão íntima de um SER
F-R-A-G-M-E-N-T-A-D-O.

Quero e não consigo.
O meio do qual me utilizo
é o mesmo que me trava
a porta da mente
e abre-me ao meu caos-interior,
elimina minhas forças
suga-me as energias
alimenta minha alma de uma esperança
que machuca:
eu a aceito e a provo.

Í.ta **

segunda-feira, 4 de setembro de 2006

Metal Contra as Nuvens - Legião Urbana


"Não sou escravo de ninguém
Ninguém senhor do meu domínio
Sei o que devo defender
E por valor eu tenho
E temo o que agora se desfaz.

Viajamos sete léguas
Por entre abismos e florestas
Por Deus nunca me vi tão só
É a própria fé o que destrói
Estes são dias desleais.

Sou metal, raio, relâmpago e trovão
Sou metal, eu sou o ouro em seu brazão
Sou metal, me sabe o sopro do dragão.

Reconheço meu pesar,
Quando tudo é traição,
O que venho encontrar
é a virtude em outras mãos.

Minha terra é a terra que é minha
E sempre será minha terra
Tem a lua, tem estrelas e sempre terá.

Quase acreditei na tua promessa
E o que vejo é fome e destruição
Perdi a minha sela e a minha espada
Perdi o meu castelo e minha princesa.
Quase acreditei, quase acreditei
E, por honra, se existir verdade
Existem os tolos e existe o ladrão
E há quem se alimente do que é roubo
Vou guardar o meu tesouro
Caso você esteja mentindo.

É a verdade o que assombra
O descaso que condena,
A estupidez o que destrói
Eu vejo tudo que se foi
E que não existe mais
Olha o sopro do dragão.

Tenho os sentidos já dormentes,
O corpo quer, a alma entende
Esta é a terra-de-ninguém
Sei que devo resitir -
Eu quero a espada em minhas mãos.

Sou metal, raio, relâmpago e trovão
Sou metal, eu sou o ouro em seu brazão
Sou metal, me sabe o sopro do dragão.

Não me entrego sem lutar -
Tenho ainda coração
Não aprendi a me render
Que caia o inimigo então.

Tudo passa, tudo passará
Tudo passa, tudo passará
Tudo passa, tudo passará.

E nossa história não estará pelo avesso
Assim, sem final feliz
Teremos coisas bonitas pra contar
E até lá, vamos viver
Temos muito ainda por fazer
Não olhe pra trás
Apenas começamos
O mundo começa agora
Apenas começamos".

versos que me significam.
são neles que me encontro.
Í.ta **

domingo, 3 de setembro de 2006

tesoura

És a união dos sexos
O corte no lábio
Um beijo secreto.

És a espada de Highlander
As costas da faca.

És a perna de um trapezista
Na boca de um jacaré.

Í.ta **

quinta-feira, 24 de agosto de 2006

XLVI

"Deste modo ou daquele modo,
Conforme calha ou não calha,
Podendo às vezes dizer o que penso,
E outras vezes dizendo-o mal e com misturas,
Vou escrevendo os meus versos sem querer,
Como se escrever não fosse uma coisa feita de gestos,
Como se escrever fosse uma coisa que me acontecesse
Como dar-me o sol de fora.

Procuro dizer o que sinto
Sem pensar em que o sinto.
Procuro encostar as palavras à idéia
E não precisar dum corredor
Do pensamento para as palavras.

Nem sempre consigo sentir o que sei que devo sentir.
O meu pensamento só muito devagar atravessa o rio a nado
Porque lhe pesa o fato de que os homens o fizeram usar.

Procuro despir-me do que aprendi,
Procuro esquecer-me do modo de lembrar que me ensinaram,
E raspar a tinta com que me pintaram os sentidos,
Desencaixotar as minhas emoções verdadeiras,
Desembrulhar-me e ser eu, não Alberto Caeiro,
Mas um animal humano que a natureza produziu.

E assim escrevo, querendo sentir a natureza, nem sequer como um homem,
Mas como quem sente a natureza, e mais nada.
E assim escrevo, ora bem, ora mal,
Ora acertando com o que quero dizer, ora errando,
Caindo aqui, levantando-me acolá,
Mas indo sempre no meu caminho como um cego teimoso.
Ainda assim, sou alguém.
Sou o Descobridor da Natureza.
Sou o Argonauta das sensações verdadeiras.
Trago ao Universo um novo Universo
Porque trago ao Universo ele-próprio.

Isto sinto e isto escrevo
Perfeitamente sabedor e sem que não veja
Que são cinco horas do amanhecer
E que o sol, que ainda não mostrou a cabeça
Por cima do muro do horizonte,
Ainda assim já se lhe vêem as pontas dos dedos
Agarrando o cimo do muro
Do horizonte cheio de montes baixos".

(Fernando Pessoa - Poemas completos de Alberto Caeiro)

quarta-feira, 23 de agosto de 2006

nada para além dos olhos

"Para além da curva da estrada
Talvez haja um poço, e talvez um castelo,
E talvez apenas a continuação da estrada.
Não sei nem pergunto.
Enquanto vou na estrada antes da curva
Só olho para a estrada antes da curva,
Porque não posso ver senão a estrada antes da curva.
De nada me serviria estar olhando para outro lado
E para aquilo que não vejo.
Importemo-nos apenas com o lugar onde estamos.
Há beleza bastante em estar aqui e não noutra parte qualquer.
Se há alguém para além da curva da estrada,
Esses que se preocupem com o que há para além da curva da estrada.
Essa é que é a estrada para eles.
Se nós tivermos que chegar lá, quando lá chegarmos saberemos.
Por ora só sabemos que lá não estamos.
Aqui há só a estrada antes da curva, e antes da curva
Há a estrada sem curva nenhuma".

Fernando Pessoa (Poemas completos de Alberto Caeiro)

segunda-feira, 21 de agosto de 2006

morrer / viver?


"Creio que irei morrer.
Mas o sentido de morrer não me move,
Lembro-me que morrer não deve ter sentido.
Isto de viver e morrer são classificações como as das plantas.
Que folhas ou que flores têm uma classificação?
Que vida tem a vida ou que morte a morte?
Tudo são termos onde se define,
A única diferença é um contorno, uma paragem, uma cor que destingue,
[uma
(?) [Um verso ilegível e incompleto.]"

(Fernando Pessoa) - Poemas completos de Alberto Caeiro.

sexta-feira, 18 de agosto de 2006

sexta-feira, 11 de agosto de 2006

Dama de Branco

à J.C.E

Em ti tudo hoje reluz.

Tua imagem a mim
reflete
a paz.

Teu rosto -
(sorriso e olhar) -
alimenta-me o espírito,
resignifica-me o dia.

Tua essência irradia
a beleza só tua - única -
de teu SER.

A ti sou grato
por oportunizar em mim
esse sentimento (amor)
E por compartilhá-lo.

Í.ta **

quarta-feira, 9 de agosto de 2006

vazio (ou apenas cheio demais)


hoje

hoje
eu apenas queria
receber uma ligação.
agora ou logo mais
às 2 ou às 7 da manhã
e que apenas
a voz do outro lado da linha
me dissesse:
"liguei para saber como você está".

hoje
eu apenas gostaria
de encontrar na caixinha do correio
ou sob minha cama
uma carta.
pudesse ser sem remetente,
de um desconhecido
de uma fada, ou anjo
mas que apenas contivesse
palavras tais quais:
"serenidade. esse o pilar imprenscíndivel
à construção da SUA obra. o caminho,
você sabe,
está apenas no início,
e é promissor".

hoje
eu apenas desejava
chorar.
desafogar meu SER -
entupido de lodos, águas sujas
de mares e rios -
no ombro de uma pessoa
ou em meu próprio ombro
apenas não mais
em meu coração.

hoje
eu apenas almejava
um olhar, um sorriso e um beijo.
recebi-os!
estou por completo.
o medo vem de mim, nasce em mim
morre em mim
a paz vem dela, nasce em nós dois
nunca morre; não deixamos.

Í.ta **
hoje
eu apenas estou
para sentir esses
Versos
que por mais que
me façam sentir a dor
da (in)capacidade
aliviam-me, um pouco,
toda angústia e tolice
em querer à essência chegar, senti-la,
e a novos ouvidos insensíveis explicá-la;
pura tolice.

hoje
eu apenas vou viver
com duas frases,
que acolhem-me
e afagam meu cabelo (externamente)
e meu espírito (internamente):
"nada te cura senão tu mesmo"
"chega-a-ser o que tu és".

hoje
agora,
apenas agora,
ME SENTI.
obrigado
pela licença,
eternamente.

segunda-feira, 7 de agosto de 2006

passar (ainda...)


AINDA

Ainda que exista um possível não
Ainda que o sim se faça presente
Ainda que a morte habite o coração
Ainda que o sol não mais esquente
Ainda que escrever seja desnecessário
Ainda que viver seja mais do que a própria vida
Ainda que arriscar seja temerário
Ainda que a tristeza roube a alegria
Ainda que ao caminhar corra-se o risco da queda
Ainda que a queda signifique o adeus
Ainda que nossas almas se transformem em pedra

Se o alimento de uma alma for a esperança
Ou se a força da esperança seja a alma
Recompensador é saber que ainda existe o ainda

Í.ta **

passou, que bom...
talvez ainda seja cedo, mas já é algo bem concreto ^^
...

sexta-feira, 4 de agosto de 2006

Passar (questão de tempo)


Tudo passa...

O detalhe não está no final, mas sim, no processo em si. Logo, tudo passa, ok. Porém tudo isso que passa deixa, ou não, cicatrizes/seqüelas/marcas, algumas muito fortes e profundas, outras mais brandas, alegres, menos doloridas. A questão é o PROCESSO em si. É nele que se SENTE com o mais puro e sinceo sentimento. É dele que pode-se extrair a essência de "tudo que passa".

Í.ta **

sexta-feira, 28 de julho de 2006

Sonhos


durmo-escuro:
em minha alma
um cobertor
em meu corpo a cama dura
e insensível
sob a qual todas as noites me deito.

rasgo o papel,
acendo um fósforo
[coloco-os em contato]
Ainda o coração apertado
e o ar sufocante na garganta.
destruo palavras (sentimentos):
eternas responsáveis pela essência
prática de meu SER.

faço do fogo meu sangue
do PENSAR uma faca de dois gumes
do SENTIR a razão:
continuo arriscando viver
[...]

Í.ta **

quinta-feira, 27 de julho de 2006

refúgio


veio um anjo visitar-me
durante meu sono
e, como que num desejo de boa-noite,
disse-me:
"refugie-se na sua mente".

Ele apenas esqueceu
de me indicar o modo
através do qual
eu alcançaria esse estágio.
Acordei, então, como fui dormir,
com a sensação de que
ainda há um segredo dentro de mim;
e eu? não sei.

Í.ta **

segunda-feira, 24 de julho de 2006

SEM TI



Se sentir é o que é
Hoje eu sinto medo de
pensar.

Mania barata a minha
De buscar uma compreensão
para tudo o que vivo
ou deixo de viver.

Se isso (escrever) é o que faço
Por algum motivo é feito
- efeito de mim mesmo
sob meu 'eu'
[perturbador inconsciente].

Aqui as palavras me revelarão
Ou o contrário: revelarei-as.
Não me perguntes o por quê
Apenas me deixe SER
e sejas!

Assim chegarás mais perto de mim
De dois poderemos formar UM: essência.
Nas entre-linhas de letras e sentimentos
O vazio preenchido pelo outro:
[amor].

Í.ta **