Quinta-feira, Dezembro 10, 2009

continuação para o robinson crusoé

Este ano li com minha 7ª série o livro “As aventuras de Robinson Crusoé”, do Daniel Defoé. Claro que não li a edição completa, gigantesca. Li uma adaptada, organizada pelo Werner Zotz (não é a da foto, infelizmente).
A turma adorou a história. Acompanhou a cada aula o desenrolar da mesma, o naufrágio do Robinson, sua fase de adaptação à ilha e o desenrolar de seus quase trinta anos vivendo nela, construindo moradias e criando rebanhos.
Após a leitura, e a consequente conversa que desenvolvemos sobre a história, pedi-lhes para que escrevessem como se fossem o Robinson Crusoé, contando como foram os dez anos seguintes dele à saída da ilha, nos quais ele voltou para a Europa, constituiu família por lá, mas continuou visitando sua ilha periodicamente. Então, os alunos escreveram, em primeira pessoa, como se fossem o próprio Crusoé continuando a contar a história de sua vida, indo e vindo para/da ilha.
Gostei tanto tanto de duas histórias, de duas alunas, que pedi permissão a elas para colocá-las aqui no blog. São as que seguem.
São histórias não muito curtas, sim, mas que valem muito a leitura, por estarem tão bem escritas, tão criativas, e tão completas. As histórias que nos significam. As histórias que contamos para nos contarmos. Algo tão escrito neste blog.

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Memórias (Bárbara Duwe Lima)
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Reencontrei meu amigo Sexta-Feira, no meio de uma feira em Londres. Conversamos durante duas longas horas, contei a ele sobre minha família e o apresentei a meu sobrinho e lhe falei que pretendia voltar à ilha.
Ele me contou sobre sua noiva Channelle, e convidou a mim a e meu sobrinho para ir a festa de casamento que seria no fim de semana. Ele me contou como conheceu Channelle, e ouvir esse relato me fez lembrar de meus pais, e como eles gostavam de me contar, repetidas vezes, como se conheceram.
Ficamos hospedados em sua casa e dois dias depois fomos à cerimônia de casamento. Me senti desconfortável e deslocado ao conversar com nobres e ricos das redondezas. Foi quando percebi o tamanho da vontade que eu tinha de voltar à ilha, novamente lembre que Sexta-Feira não teria lua-de-mel e ofereci carona, para que Channelle conhecesse o local onde Sexta-Feira ‘renasceu’.
Partimos três dias depois, tivemos uma viagem tranquila, e senti que tudo daria certo. E a princípio deu. Chegamos lá no fim da tarde, Sexta-Feira e Channelle puderam contemplar o pôr-do-sol, abrigados em minha casa de campo.
Essa tranqüilidade durou os dois meses que ficamos lá. Sexta-Feira e Channelle tiveram que voltar. Senti uma onda de agonia me invadir só de pensar em partir. Estava muito acostumado com aquele paraíso para dar as costas para ele. Decidi ficar por mais um tempo, que acabou virando seis maravilhoso anos na paz e na tranqüilidade do melhor lugar do mundo.
A maneira como saí de lá foi a pior possível. Eu estava prestes a completar sete anos vivendo lá quando a ilha foi ‘invadida’ por habitantes londrinos. Em aproximadamente três anos, vi o paraíso, único e inacabável, se acabando e se tornando comum, assim como os outros. Me senti impotente, assistindo às cabanas, à casa de campo e ao castelo se tornarem simples casas, minha pequena horta virar um restaurante.
Fui embora. Não aguentei ver a minha criação virar a criação de outra pessoa. Depois de seis meses voltei para a ‘ilha’. Afinal, de que adiantava viver em Londres se agora o paraíso era igual a Londres?
Comprei uma pequena casinha, me ‘acostumei’ com aquela vida monótona, mas o menos fiquei com as lembranças de um paraíso que ainda vive na minha memória”.
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Minha ilha (Izabella Häfele Gularte)
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Depois de alguns anos em minha cidade natal, pensando no destino de meus amigos e de minha adorada ilha, decidi voltar e levar alguns habitantes, queria formar uma sociedade com as minhas definições de ideal.
Reuni algumas mulheres aventureiras e damas procurando um novo e diferente lar. Também vários homens conhecidos meus.
A viagem durou um longo e cansativo mês, mas quando chegamos, com uma porcentagem a menos de homens, pois demais mais atenção às mulheres, foi maravilhoso!
A ilha já tinha bastantes pessoas habitando-a, depois percebi que eram amigos de Sexta-Feira, legal! Mais gente para minha sociedade!
Desembarquei e vi Sexta-Feira me esperando com um enorme sorriso no rosto e os braços estendidos, esperando um abraço. Não sei como ele sabia que era eu no navio, mas estava lá todo alegre e satisfeito.
Dei um abraço apertado em meu amigo, enquanto meu ‘povo’ e o dele nos olhavam, pasmos com nossa intimidade.
Depois de um tempo conversando com Sexta-Feira, vi que ele tinha a mesma intenção que eu, formar uma cidade, com seus conceitos de sociedade ideal. Decidi, então, juntar-me a ele.
Passamos dias discutindo as formas de governo, as moradias, as leis. Mas chegamos a um acordo. O governador seria escolhido pelo povo e as leis e todas as decisões com relação à sociedade só seriam tomadas depois de consultar também o povo.
Após alguns meses, fizemos um congresso com o povo de nossa cidade (ainda sem nome) e decidimos parte das leis, então, era hora de decidir as moradias e institutos públicos.
Eu e Sexta-Feira queríamos uma biblioteca, também uma escola, para que todos pudessem ler e escrever. Então tive de voltar para a Europa, fui buscar livros e professores, junto com alguns aliados. Sexta-Feira ficou.
A viagem de volta pareceu ser mais longa ainda, com a ansiedade pela terra firme, mas quando chegamos, éramos todos os que partiram e em ótimo estado de saúde.
Passamos alguns anos na ‘sociedade moderna’, pesquisamos muito sobre formas de governo, leis e como se governa um povo. Também procuramos livros de ensino ou somente uma boa literatura para meu povo, e ótimos professores, capazes de dar ao meu povo o dom da leitura e da escrita.
Foi em um dos momentos em que estava remexendo uns livros que decidi fazer um diário com anotações importantes sobre o processo de desenvolvimento de minha pequena cidade.
Depois de muito estudo e procura, decidimos voltar a minha amada ilha. Partimos satisfeitos com o que conseguimos, mas quando chegamos, minha impressão da minha ilha não era muito satisfatória.
Estava tudo ao contrário do que Sexta-Feira e eu tínhamos planejado. Um revoltado do grupo de ‘amigos’ meus (homens da Europa) se rebelou, junto com muitos seguidores e conseguiu se tornar a nova grande autoridade de Fanópolis (nome dado por ele próprio).
Richard Rudolph só queria saber de toda a riqueza e poder pra si próprio. Ele apoiava o capitalismo e a inferiorização dos mais pobres.
Durante o tempo em que estive na ilha tentando mudar o governo de não-mais-tão-minha-ilha houveram muitos debates e lutas, mas os capitalista venceram todos, deixando o conceito meu e de Sexta-Feira, de sociedade ideal, de lado.
Decidi, então, que não adiantava mais ficar naquela ilha que não era mais minha e viver numa sociedade em que o povo é mal educado. Aliás, já tinha feito minha parte, grande maioria das pessoas de Fanópolis já sabia ler e escrever.
Então, parti com Sexta-Feira, deixando aquela ilha para trás, com um enorme sentimento de tristeza no coração.
Mas não foi só porque eu desisti da ilha que eu iria desistir da minha vida, minhas conquistas. Publiquei um livro com base no meu diário e foi um sucesso.
Anos se passaram, meu livro se tornou um clássico e, de novo por causa de meu instinto aventureiro, decidi levar minha obra ao meu antigo povo, para deixar pelo menos um pedaço de minha história naquela ilha, que já chamei de minha. Então fui, em busca de aventura e reconhecimento”.
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í.ta**

Sexta-feira, Dezembro 04, 2009

em defesa do romance, por mário vargas llosa

há mais de mês já, encontrei, em um dos blogs do eduardo (qual blog, agora não me recordo), este texto do mário vargas llosa. um texto longo, é verdade, mas muito interessante para pensarmos a literatura e sua importância para o ser humano.
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deixo aqui a frase que serve como "apresentação" do texto. aquilo que, em linguagem de texto de jornal, se não me engano é chamado de "lide". há o link para o texto completo, aqui.
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Incivilizado, bárbaro, órfão de sensibilidade e pobre de palavra, ignorante e grave, alheio à paixão e ao erotismo - um mundo sem literatura teria como traço principal o conformismo, a submissão dos seres humanos ao estabelecido. Seria um mundo animal.
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í.ta**

Terça-feira, Dezembro 01, 2009

palomar, do xará calvino

durante a semana que passou, reli “palomar”, do italo calvino.
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um livro belíssimo, escrito com uma sutileza que convida o leitor a ler cada texto e, antes de seguir ao próximo, parar e pensar no que acabou de ler.
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“palomar” é isto, é um livro em que não se acelera. em que a leitura é ritmada, é cuidadosa como a escrita. em que um segundo de distração coloca em risco uma frase de rara beleza e ironia.
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palomar, este nome, “é o nome de um famoso observatório astronômico que durante muito tempo ostentou o maior telescópio do mundo. por intencional ironia, é também o nome do protagonista destes textos curtos de italo calvino, pois este senhor palomar é todo olhos, mas funciona quase sempre como se fosse um telescópio, mas para as coisas próximas do cotidiano”.
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é isto, bem isto. acompanhar o olhar de palomar, e principalmente as impressões e os dizeres e os pensares dos seus olhares é um exercício de aprender a olhar o que não se costuma olhar, e pensar no que não se costuma pensar, a não dizer o que se costuma dizer.
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fico impressionado com a organização dos textos deste livro. com o índice construído minuciosamente. o livro é dividido em três grandes partes: “As férias de Palomar” (1), “Palomar na cidade” (2), e “Os silêncios de Palomar” (3). são três “grandes temas”. e em cada uma dessas divisões há outras, ainda mais específicas: nas “férias de Palomar” há “Palomar na praia” (1.1), “Palomar no jardim” (1.2), e “Palomar contempla o céu” (1.3). na cidade, “Palomar no terraço” (2.1), “Palomar vai às compras” (2.2), e “Palomar contempla o céu” (2.3). e os silêncios de palomar têm “As viagens de Palomar” (3.1), “Palomar em sociedade” (3.2), e “As meditações de Palomar” (3.3). e cada um desses número quebrados contém três textos. ou seja, são 27 textos sobre o sr. palomar e seus olhares e impressões sobre o mundo.
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é encantadora a riqueza de detalhes nas descrições do que vê palomar: a contemplação dos movimentos de uma onda, os amor entre duas tartarugas ou a corrida das girafas.
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o sr. palomar gosta é do silêncio. gosta do ato de observar, de conjectuar, de pensar, mas não de dizer: “O senhor Palomar espera sempre que o silêncio contenha algo além daquilo que a linguagem pode expressar. Mas e se a linguagem fosse na verdade o ponto de chegada a que tende tudo o que existe? Ou se tudo o que existe fosse linguagem, já desde o princípio dos tempos? Neste ponto o senhor Palomar é tomado pela angústia”.
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de pensar coisas assim, principalmente: “’Não podemos conhecer nada exterior a nós se sairmos de nós mesmos’, pensa agora, ‘o universo é o espelho em que podemos contemplar só o que tivermos aprendido a conhecer em nós’”.
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pois o sr. palomar pensa, não diz nada, apenas observa, e leva o leitor a um pensar sem medidas, a um pensar muito provavelmente não pensado, a um estado de consciência ainda não atingido. a um silêncio ainda não experimentado.
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í.ta**

Quinta-feira, Novembro 26, 2009

algo de literário em três filmes

agora, neste post, as palavras serão sobre filmes, não livros. mas filmes que tratam de livros, de literatura, de escritores, de histórias. e de amor, é claro, como tudo o que se é produzido culturalmente.
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há pouco mais de mês, assisti ao “coração de tinta”, filme do qual tinha ouvido falar há bastante tempo, mas, preguiçoso que sou, do qual nunca havia ido atrás. até que um dia, na locadora, achei-o e peguei-o. e, meses depois, assisti a ele novamente, pois estava nos canais de filmes da tv a cabo.
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um filme que trabalha muito com o imaginário, com o fantástico no texto literário, que explora muito a metalinguagem. um filme que provém de um livro, de uma narrativa escrita, a qual ainda não encontrei para ler. mas a narrativa áudio-visual proposta no filme, até onde me entendo por leitor e telespectador, é boa, é bem conduzida, é interessante. uma história em que os personagens dos livros lidos durante ela saltam destes livros e surgem como pessoas frente a quem os lia. e quem lia estes livros de onde pulavam personagens era “mo folchart”, o protagonista da história, um “língua de fogo” que percebe tarde demais que, ao ler histórias, os personagens saíam delas para o mundo dele (daí seu apelido já citado). é a partir daí que a história se desenvolve, com cada personagem querendo seus direitos: ou de voltar para as histórias, ou de trazer outros personagens, ou usar e abusar no mundo real. e, como não poderia deixar de ser, o drama da história acontece quando folchart, ao ler a história “o coração de tinta”, e ao ver os personagens daquele livro surgindo a sua frente, vê, ao mesmo tempo, sua esposa desaparecer, sem saber para onde ela foi, pressupondo que ela tenha trocado de lugar com os personagens.
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enfim, uma boa história, bem contada, com um quê de mistério bem encaixado, e que apresenta, ao meu ver, uma boa metáfora dos leitores que somos, ou podemos ser: leitores que dão vida aos personagens.
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se “o coração de tinta” eu já conhecia, ao menos de nome, “de encontro com o amor” eu não tinha conhecimento da existência. até que nice, minha-namorada-apaixonada-por-cinema, trouxe-o para casa num final de semana, garantindo a mim que eu gostaria bastante da história.
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e, de fato, gostei demais, de tudo no filme, com exceção da tradução do nome, que em inglês é “the shadow dancer”. ou seja, nada de encontro com o amor.
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mas tudo bem. é algo superável. eu gosto muito de filmes que tratam da literatura em suas histórias. ou de algo relacionado à literatura, enfim. e “de encontro com o amor” é um desses de que eu gosto por isso. gosto limitado o meu, eu sei, mas não tenho capacidade para avaliar um filme com critério cinematográficos, então contento-me com tal escolha.
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a história deste filme envolve um editor de livros aspirante a escritor, jeremy, que parte para uma difícil missão junto a um escritor consagrado, de quem ele é ídolo: weldon parish. um escritor que, após a morte de sua esposa, há bons 20 anos, resolve abandonar a literatura, não escrevendo mais nada, e despachando editores-chatos que lhe propõem fundos de dinheiro para que ele escreva um novo romance e, consequentemente, venda muito e dê lucros à editora.
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mas parish não tem mais paciência para isso tudo. e por esse motivo mesmo coloca jeremy em situações apertadas e embaraçosas nas insistentes tentativas que o editor lançava para trocar uma palavrinha só com o renomado escritor.
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a história se desenvolve. e não serei eu a contá-la neste breve escrito. se o escritor cede um pouco ou não, se o editor desiste ou não, se a filha do escritor influencia em algo, não mais me recordo para este momento. o que ficou a mim, da história do filme, foram frases, algumas frases. como a que parish lança a jeremy, quando este pergunta ao outro porque ele não escreve mais nada há tanto tempo, no que parish lhe responde: porque eu não tenho mais nada a dizer.
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ponto. não é preciso dizer mais nada, mesmo, depois de uma frase como esta. que me fez lembrar de um texto, escrito pelo alencar, professor de literatura e integrante do grupo de pesquisa do prolij, publicado no jornal “anotícia” há uns meses, no qual, pela fragilidade que minha memória permite, alencar citava raduan nassar para argumentar sobre a importância do escritor saber o momento certo de lançar algo novo, de se escancarar novamente (sim, porque publicar é se encancarar), de escrever para seus leitores; do quanto o silêncio de uma última obra é muito mais interessante aos leitores do que produções novas, porém repetitivas. o título do artigo do alencar era “os inimigos do silêncio”.
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e assistir a “de encontro com o amor” me fez pensar bastante nisso. observar atentamente cada frase do escritor parish: “um livro só pode ser escrito quando se tem algo a dizer”, “escrever vem da experiência. um grande escritor sabe quando não é mais um grande escritor” e “a vida é aproveitar o momento”, (uma frase meio auto-ajuda mesmo, mas que, no contexto do filme, explicada pelo escritor, torna-se impactante) levou-me a pensar na escrita para mim, na minha relação com este ato, de se sentar à frente da tela, da página em branco, do matutar frases e ideias, do rabiscar primeiras linhas. a significação do ato de escrever.
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ah, e onde entra o amor neste filme? não vou contar, não... eu encontrei um amor ali, o amor pela escrita. mas há outro, sim, mais escancarado.
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e, quando este texto sobre filmes e, por tabela, literatura, já estava quase no ponto, parei tudo para assistir ao “clube de leitura de jane austen”, um outro filme que contém elementos literários, no caso, as obras da autora inglesa jane austen.
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até hoje nunca li nada dela. pouquíssimo ouvi falar. sei de “razão e sensibilidade” e “orgulho e preconceito”, mas pelos filmes aos quais assisti, que são provenientes dos livros. e este filme me deixou, é claro, com a curiosidade de lê-la, de conhecer seus romances e, então, de entender melhor o filme. mas não sou do tipo que corre atrás de filmes e livros assim que sabe algo sobre eles. eu dou tempo ao tempo. deixo para chegar neles aos poucos, nos momentos em que me dá um estalo, ou nos momentos em que eles me caiem às mãos.
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como o nome do filme sugere, é um grupo de leitura. cinco mulheres e um homem. nem todos se conhecem quando o grupo inicia, mas todos enfrentam situações, até aquele momento, que se complementam ao estarem juntos. porém, sabemos, relacionar-se é das tarefas mais árduas, então que pequenos conflitos sempre acontecem durante os encontros do grupo. encontros estes que ocorrem uma vez ao mês.
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como são em seis pessoas, definiram seis livros da jane austen. todos leriam todos os livros, mas cada um ficaria responsável por um título, e a cada mês um título seria lido, e um encontro marcado, na casa daquele que ficara responsável pelo livro.
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a ideia do grupo de leitura me atrai muito. foi o que me levou a assistir a este filme. gosto de pensar num grupo de leitura em que os participantes se reúnam para ler, não só para conversar. não é o que acontece no filme, em que eles se reúnem para conversar sobre o que leram individualmente durante o mês. mas assim já está bom também, “louco” de bom.
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o filme é bem conduzido. cada personagem é apresentado aos poucos. cada vida é escancarada na medida em que cada livro é revelado. ou seja, os participantes do grupo de leitura vão percebendo o quanto suas vidas estão próximas das vidas dos personagens dos livros que eles estão lendo. ou seja, aquele limiar entre real e ficção. o que há em um e o que há em outro. aquela coisa do se comportar como vc mesmo, ou como o personagem se comportaria. temas recorrentes nas últimas postagens deste blog.
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não sou bom em esmiuçar as histórias que leio ou assisto. deixo lacunas consideráveis nelas. gosto de levantar ideias somente. e aqui ficam três filmes e três ideias. seus enredos e narrativas, em detalhes, cabe a cada um assistir e entender.
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í.ta**

Quarta-feira, Novembro 25, 2009

a vida são histórias

artigo publicado no jornal "hoje", que circula por jaraguá e região.
o título do post é o título do artigo.
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“Contar histórias multiplica a gente”. Este foi o tema do “Abril Mundo 2009”, evento organizado anualmente, desde 2005, pelo PROLIJ, Programa Institucional de Literatura Infantil e Juvenil, da Univille, com o desejo maior de colocar no centro da discussão, acadêmica e social, o que é e o que está sendo a Literatura Infantil e Juvenil, nacional e internacionalmente.
O tema do evento deste ano, que deu início a este texto, teve como objetivo colocar em discussão a milenar arte de contar histórias. Isto porque o ato de contar histórias faz parte da história da evolução do homem. Isto porque contar histórias, todos contamos. E, ao contarmos histórias, contamos a nós mesmos.
Sueli Cagneti, coordenadora do PROLIJ, no seu mais recente livro publicado, “Literatura Infantil e Juvenil: suas possibilidades de leitura em sala de aula” (Letras Brasileiras, Coleção Letra Viva, 2009), apresenta ao leitor algumas linhas que dão conta dessa representatividade da história na vida humana. Escreve ela assim: “A história é inerente ao homem. Temos necessidade de contar, contando-nos. Da mesma forma que, ao ouvir narrativas, nos ouvimos. Nada tão humano quanto a literatura para aproximar o homem do homem”.
Uma frase final que abraça todas as frases anteriores. A força da literatura reside nisso, na condição de ser humano que ela desperta nos sujeitos.
A narrativa é inerente ao ser humano. Queremos, sempre, contar histórias nossas, fazermo-nos ouvir perante os outros. Assim como queremos, sempre, ouvir histórias contadas por estes outros. A vida são histórias. Conhecer histórias é viver. Um cruzamento de histórias. Costuras de vida. Uma palavra é um entrelaçamento de letras. Uma história é um entrelaçamento de palavras. E sentires.
A literatura é apenas um dos meios que utilizamos para nos contarmos e para conhecermos mais a nós mesmos por intermédio de personagens aos quais, como leitores que somos, damos vida.
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í.ta**

Sábado, Novembro 21, 2009

o escrever, por rosane

rosane é amiga minha. foi orientadora de duas pesquisas que desenvolvi quando cursava letras na unerj, aqui em jaraguá. foi quem me colocou no meio de tantas e tantas obras sobre leitura. foi quem me levou a perceber que a leitura pode e deve ser pensada em diferentes contextos e práticas e sujeitos. e a rosane escreve também. escreve para si. mas criou um blog, há sete meses, onde vezemquando posta alguns escritos pra lá de interessantes. e é um texto dela que lanço aqui no blog nesta postagem. não pedi a ela para colocá-lo aqui, não. mas, uma vez que está no blog dela, ou seja, à disposição de todos, é porque é público, é porque é para ser lido. e este texto, em especial, deve ser lido mesmo, por muitos, por muitos que sobrevivem com a escrita. é um dos textos metalinguísticos mais completos que li até hoje. não pelo seu tamanho, mas pelo que ele apresenta de interrogações sobre o escrever. a começar pelo título já.
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"Quem escreve para continuar a viver?
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A coisa mais importante que eu realizo sozinha e que de certa forma me deslumbra é a capacidade de gostar de escrever. Agora, ler, também.
Quando eu tinha entre sete e dez anos ainda não sabia que me comunicaria comigo mesma escrevendo.
A adolescência me transformou numa pessoa um pouco estranha. Para dizer a verdade, não sei se eu me gostava ou se a forma como eu sentia as coisas era uma tortura.
A minha vida não tem nada de excepcional. Pelo contrário, sou tão comum como qualquer outro ser humano anônimo na multidão.Os anos de minha vida foram gastos, na maioria das vezes, sem um plano prévio. Eu não me dei o dever de lutar pelo que queria e isso me tornou neurótica e sem destaque em nada. Talvez eu tenha conseguido surpreender um pouco aos outros, mas muito pouco em comparação a milhares de pessoas que realizaram grandes feitos.
Parece-me que vivi sempre medianamente. Nem escandalosamente, nem miseravelmente.
Não conheci a tristeza profunda, o abandono, a fome, a hostilidade ou o descaso. Percebo que tive o mínimo em tudo para me descrever normal na convivência em sociedade. A única coisa que me difere e deferiu, num raio de dez quilômetros, talvez, foi a necessidade de recorrer vez ou outra, dependendo do que eu vivia, a escrever.
Reconheço que não me aperfeiçoei desde o meu primeiro caderno de escrever. Acho, até, que meu discurso hoje se assemelha por demais com o que eu tinha no começo de minha adolescência. Isto me perturba, até produzir raiva de mim mesma.
Os meus anos vividos foram gastos, muito bem disfarçados, em filhos, casamentos, casa, preocupações cotidianas com dinheiro e outros eventos de um mortal comum.
Volta e meia algo acontece e torno a escrever. Parei e recomecei tantas vezes. E de todos os pensamentos, um é recorrente: por que tenho necessidade de escrever?
Há alguma coisa nas pessoas que compõem minha família que denuncia essa aproximação com o escrever: Eliane escreve tudo que faz ou que tem de fazer, numa agenda. Do tanto que escreve, uma ou outra linha é pessoal. Minha mãe conseguiu escrever um pseudo-diário. Um pouco comportado demais num primeiro olhar.
Não sei o que é, mas sinto-me confortável quando penso o quanto me faz bem a existência desse veículo que é o papel, o lápis, a ideia e a minha necessidade registradora. Algo como um mundo que se torna mais elaborado porque escrevo.
Luto, reluto, entretanto, contra algo que diminui o respeito e a admiração por minhas próprias ideias: é a má vontade de transcrever meus diários e torná-los uma possibilidade de ser lida. E logo eu me pergunto: quem há de querer ler-me? O que um leitor encontraria no que escrevo? Por que não creio na atitude desinteressada e interessada do ser humano em ler o que o outro faz, fez e que pode transformar uma vida?
* Este texto data de 01/11/2007. "
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í.ta**

Terça-feira, Novembro 17, 2009

pedindo licença: ana beatriz barbosa

costumo escrever aqui sobre livros que leio. livros literários, quase sempre. ou sempre. mas agora eu faço um post com algumas linhas sobre dois livros não-literários dos quais gosto muito. um que li já se vão dois anos, e outro que li semana passada.
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refiro-me a dois livros da ana beatriz barbosa silva. muito provável que quem esteja lendo isto já tenho ouvido falar desta psiquiatra-escritora, ou do seu último livro, o “mentes perigosas: o psicopata mora ao lado”, livro lançado no ano passado.
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a ana beatriz barbosa silva é, então, autora dos livros “mentes inquietas: entendendo melhor o mundo das pessoas distraídas, impulsivas e hiperativas” e “mentes perigosas”. dois livros muitíssimo bem escritos, em que o leitor é conduzido por uma escrita que flui sem dificuldades, mas que nem por isso se torna uma leitura boba ou desinteressante.
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pelo contrário. os dois livros abordam temáticas interessantíssimas sobre a nossa condição humana, sobre a nossa individualidade e principalmente sobre o conviver em sociedade.
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“mentes inquietas” aborda a questão do dda, o distúrbio do déficit de atenção, que muitas pessoas têm mas nem sonham. são características, por exemplo, de uma pessoa com dda, distração, esquecimento, desorganização, agitação e impulsividade. mas também, criativas, inovadoras e ousadas. neste livro, a autora ana beatriz desmistifica a crença errônea de que pessoas com dda sejam mental e socialmente incapazes de algo. pelo contrário, ela deixa claro que pessoas assim apresentam características comportamentais marcantes, e que são dotadas de uma capacidade incrível.
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já “mentes perigosas” apresenta um assunto um pouco mais preocupante: a psicopatia. também escrito como se fosse uma conversa numa sala de estar, o livro aborda com profundidade e com exemplos marcantes as características de uma pessoa psicopata, que está longe de ser aquela pessoa violenta com aparência de assassina, quando sim são indivíduos encontrados em todos os segmentos sociais, que possuem uma capacidade incrível de se disfarçar e se camuflar, aparentando ser o que não são: “Neste livro você vai saber um pouco mais sobre esse intrigante universo e aprender a reconhecer aqueles que vivem entre nós, se parecem fisicamente conosco, mas definitivamente não são como nós”.
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o que me levou a ler “mentes inquietas” foi uma disciplina da pós em psicopedagogia. e um trabalho que eu fiz para essa disciplina. gostei demais do livro, da escrita que seduz, da temática bem abordada. e foram essas características que me fizeram ler “mentes perigosas”, mesmo não sendo fã da temática abordada. são dois livros que conquistam o leitor pela maneira como são escritos.
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í.ta**