dessa semana
envolve futebol e literatura.
por isso,
postei-a aqui no ópio do povo.
senão, tadinho,
entrará no vácuo.
nada contra o futebol,
capaaaaaz.
é só que...
bom, deixa eu voltar pros livros.
ítalo.
Um sentir complementa o outro
Escrever é dar a cara a tapa.
sexta-feira, 16 de março de 2012
a croniqueta
Marcadores
croniquetas,
futebol,
livros
| Reações: |
segunda-feira, 12 de março de 2012
publiquei no orgia
no orgia literária.
um texto envolvendo "moby dick" e "o velho e o mar".
um texto que rendeu boas conversas aqui no blog já.
o texto no orgia.
as conversas aqui no blog.
ítalo.
um texto envolvendo "moby dick" e "o velho e o mar".
um texto que rendeu boas conversas aqui no blog já.
o texto no orgia.
as conversas aqui no blog.
ítalo.
segunda-feira, 5 de março de 2012
Crônica para o meu pai
Meu pai tem me lido semanalmente, uma vez que tenho publicado crônicas em sites e jornais há alguns meses já. E ele não tem gostado do que escrevo, não. Gostou de uma só. Tou em dívida com o velho. Sendo assim, resolvi escrever esta crônica especialmente para ele, pedindo licença aos leitores que aqui buscam referências e ladainhas literárias (sim, porque toda crônica me parece ser uma ladainha – mas isto é assunto pr’outra crônica).
Recentemente, ele tirou sarro da minha escrita sobre como os ônibus são progenitores de crônicas, além de não ter entendido nada sobre uma outra crônica, anterior, que tratava da prática da leitura, sobre quando algo faz ou não faz sentido a quem o lê. Pois então, escrevo a ele para confabularmos (e os leitores estão convidados) sobre o ato de lavar louça. (Um assunto muito cronicável, não é mesmo, pai?).
Em algumas conversas de bar com amigos, vezemquando citamos o ato de lavar louça como uma forma de terapia. Edu foi além, disse que mais importante do que tal ação é a música que se ouve enquanto se pratica este ritual (afinal de contas, uma tarefa executada diariamente pode ser chamada de ritual, né? Creio que sim). Tem razão o Edu. Hoje mesmo, antes de me sentar diante do computador para escrevinhar este e outros textos, lavei a louça ao som da trilha sonora do filme “Across the universe”. A mãe, que estava na cozinha naquela hora, odiou. Pedi a ela que se retirasse, claro. E em três músicas a louça estava devidamente lavada.
(E enxugada, mas enxugar a louça acredito que seja uma das coisas mais inúteis que as pessoas fazem. Basta deixá-la secando sozinha. Fica até melhor, sem aqueles fiapos de pano nos pratos, nos copos ou nos talheres. Lavo a louça com orgulho, mas me recuso a secá-la).
Voltando à louça como terapia, o que tu achas, pai? Lembro-me de ti lavando louça e ouvindo as notícias no rádio – geralmente esportivas. Ou lavando a louça e conversando com alguém. Inclusive, deixando acumular louça, para que o serviço valesse à pena. É uma boa tática. Agora que estou morando sozinho, tenho feito isto. Poucas coisas são tão prazerosas quanto receber a visita de alguém e conversar enquanto se ‘limpa a pia’ (eufemismo pobre, eu sei).
Também tem aquela situação de a visita se prontificar a lavar a louça na sua casa. Um ato educado, sem dúvida, mas exagerado. E às vezes não há nem o que fazer, pois a pessoa faz questão de se molhar na sua pia. Eu não faço isso na casa dos outros, não. E evito deixar que façam na minha. Cada um com suas louças, cada um com seus problemas. Prefiro, realmente, que me façam companhia pr’uma prosa num ambiente tão acolhedor quanto é a cozinha.
Sendo assim, estão todos convidados a isto. Próximo almoço, ou próxima janta, formalizarei os convites. Inclusive ao meu pai.
ítalo.
(também publicada aqui)
Marcadores
croniquetas,
pai
| Reações: |
terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
'Clichezando' até no título
Eu adoro os clichês. Considero-os fundamentais em muitas situações cotidianas. Para diálogos, para interações, para reflexões próprias. Até para frases de livros, por mais que eu continue chato com isto. Aquele conselho de amigo – ou de inimigo, e até mesmo do chefe. (Só não vale de pai e mãe. Estes já são clichês por natureza). Não gosto de quem olha com certo desprezo para eles. Aquela arrogância de ‘pff, quanto senso comum’. Prefiro a clareza às enrolações tortas de quem diz, diz, diz, e na verdade não fala nada e acaba sendo compreendido só por um par de gente.
Precisei voltar meus pés para o chão – a sola deles, porque de bico é perigoso machucar. É um cuidado necessário à medida que você entra num universo cultural denominado cult (com sinônimo implícito para “sou foda, na cama te esculacho”), seja relacionado a livros, a filmes, a músicas, teatro e tantas outras formas de (?) arte. Mergulhei de cabeça. Meti a cara no mundo e fui fundo. Daí, quando estava lá embaixo – e lá é frio ‘paburro’ – comecei a sentir falta do calor da água rasa. É tão gostoso sentar na areia e deixar a água do mar bater em ti sem te tirar do lugar, né?
(Ufa, consegui encaixar nesta crônica um clichê menos conhecido).
Saber lidar com clichês me parece sinônimo de leveza. Dar atenção e seriedade demais a coisas tão poucas me parece sinônimo de peso. ‘Tou’ leve. Logo, existo. Não, mentira. Tou leve, logo, tou mais aberto ao mundo. E quando a gente se abre ao mundo, o mundo vem até nós. Puro clichê. E vem me dizer que não é assim, né, Woody Allen? Foi no teu filme “Tudo pode dar certo” que ouvi o personagem Bóris dizer que “Às vezes, um clichê é a melhor forma de expressar algo”. Né?
E foi no livro do suíço Alain de Botton, “Como Proust pode mudar sua vida” (Proust se opunha a expressões usadas com muita frequência. – Azar o dele), no capítulo “Como expressar suas emoções”, que me deparei com isto: “O problema dos clichês não é conter ideias falsas, mas ser articulações superficiais de ótimas ideias”. E daí? Isto é realmente um problema? Isto é um incômodo cult. Problema, a meu ver, é outra coisa. E está bem longe desse preconceito explícito contra expressões superficiais – e aqui nem é preciso discursar sobre o olhar torto direcionado às manifestações artísticas que ficam no raso porque se propõem a ficar no raso. Isto é assunto pr’outra crônica.
Clichês são superficiais, sim. Tão óbvio quanto o sol clarear o dia e a luz clarear a noite. Eu entendo mais – e respeito – quem fica no raso do que quem faz questão de viver submerso. Nível hard só no vídeo-game, pra mim.
ítalo.
(também publicada aqui)
Marcadores
clichês,
croniquetas,
proust,
woody allen
| Reações: |
segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012
Uma leitura que leva à outra que leva à
Passei as últimas duas semanas lendo e rabiscando um livro que Rosane me emprestou, “Como Proust pode mudar sua vida”, do suíço Alain de Botton – lendo e rabiscando porque ler pra mim é interação, é diálogo entre livro e leitor, e minha forma de dialogar, nesse caso, é com anotações de canto de página, coisa que Rosane faz também. Acabam por ser no mínimo duas leituras: a do conteúdo do livro e a das anotações do leitor do mesmo.
(Quando Rosane me empresta um livro é porque a coisa “vai bater”, expressão que utilizo para fazer referência a um encantamento que há entre mim e o livro. Foi assim com “Uma história da leitura”, do Alberto Manguel, livro que se tornou meu guru nos recentes anos de graduação e de produção acadêmica, e foi assim com “As intermitências da morte”, livro que me levou a conhecer a escrita do José Saramago, por quem meu encantamento só aumentou a cada livro dele que li).
“Como Proust pode mudar sua vida” me assustou tão logo o peguei em mãos. Um susto que vem do meu preconceito com livros de autoajuda. Porém, senti que apenas o título soava estranho, que o conteúdo não tenderia a isto. E não tende mesmo, apesar dos apelos comerciais por ele apresentados, observação atenta do Enzo, que leu o livro após um e-mail que enviei a ele, com dois trechos do mesmo. (É de papo em papo, de trecho em trecho, que a leitura vai se disseminando porraí).
São nove capítulos nos quais o autor propõe reflexões sobre a vida: relações sociais, amor, sofrimento, leitura - todos a partir da leitura de “Em busca do tempo perdido”, obra-prima de Proust.
Fiz a leitura dos capítulos de modo bem aleatório. Comecei pelo último, depois fui para o segundo, os dois que mais me interessavam: “Como abandonar os livros” e “Como ler para si mesmo”, uma vez que pensar a leitura e suas possibilidades de práticas e estudos me é algo recorrente.
Assim, deixei por último o capítulo três, “Como sofrer com sucesso”, e muito nele me incomodou. Proust tinha um modo de viver que tendia ao sofrer, às dores físicas e emocionais. Havia nele a crença de que a felicidade nos torna ignorantes e de que é o sofrer que nos leva ao pensar, ao refletir sobre a vida, logo, a uma sensação de maior controle sobre si mesmo: "De fato, na visão de Proust, só aprendemos realmente alguma coisa quando há um problema, quando sofremos, quando algo não sai como o esperado".
Não me identifico com este pensar. Há drama em excesso, assim vejo. Tá certo que aprendemos com a dor, com o sofrimento. Que isso muito nos engrandece. Mas daí a cultuar um estado de espírito assim? Isto não me cabe. Da mesma forma que não compactuo com a ideia de que é o sofrer que leva à escrita. É mais um exemplo de dramalhão típico de quem não saiu da infância e quer chamar a atenção com sua própria dor - ou cara de. Parece-me mais falta de equilíbrio esta romantização da vida e da escrita. Prefiro um olhar para o viver que entenda cada ação ao seu redor como uma parte de um aprendizado contínuo, para o qual é necessário algum equilíbrio, um meio que não penda demais nem para uma euforia excessiva, nem para tal romantização do sofrer.
Proust pode até ter escrito um livro marcante para a literatura mundial - que eu não li e não sei se um dia lerei - mas não me cativa enquanto pessoa. Pelo menos do pouco que conheci atráves do Botton. Quem sabe em outras vidas, né, Proust?
Não me identifico com este pensar. Há drama em excesso, assim vejo. Tá certo que aprendemos com a dor, com o sofrimento. Que isso muito nos engrandece. Mas daí a cultuar um estado de espírito assim? Isto não me cabe. Da mesma forma que não compactuo com a ideia de que é o sofrer que leva à escrita. É mais um exemplo de dramalhão típico de quem não saiu da infância e quer chamar a atenção com sua própria dor - ou cara de. Parece-me mais falta de equilíbrio esta romantização da vida e da escrita. Prefiro um olhar para o viver que entenda cada ação ao seu redor como uma parte de um aprendizado contínuo, para o qual é necessário algum equilíbrio, um meio que não penda demais nem para uma euforia excessiva, nem para tal romantização do sofrer.
Proust pode até ter escrito um livro marcante para a literatura mundial - que eu não li e não sei se um dia lerei - mas não me cativa enquanto pessoa. Pelo menos do pouco que conheci atráves do Botton. Quem sabe em outras vidas, né, Proust?
(também publicado aqui).
ítalo.
Marcadores
croniquetas,
proust
| Reações: |
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
Anatomia das segundas-feiras
Introdução
Só porque cabe a mim escrever às segundas-feiras neste espaço, descaradamente farei uso de uma crônica do Carlos Heitor Cony, tão somente pelo fato dele propor uma reflexão sobre este dia da semana que muitos têm como o início da mesma, quando na verdade sabemos, ou assim nos ensinaram desde as cataqueses da vida, que é no domingo que tudo começa – apesar das contradições que esta informação traz consigo. E justifico o uso de tal crônica pelo fato das aulas terem se iniciado na semana que passou e também por ter sido a semana em que fiz mudança de uma casa prum apê – dois temas que certamente serão cronicados nas próximas semanas, prometo.
Desde já agradeço ao Cony pela crônica – juro que tentei ligação para ele, sem sucesso, então enviei e-mail comunicando do uso (repito a palavra: descarado) que estou fazendo. Salvou-me este domingo à noite que até agora apresentava um quê de desespero por não ter escrevinhado ainda a crônica pro dia de amanhã (que já é hoje para você, leitor).
Por essas e outras que eu digo e reafirmo: ler vem antes de escrever.
Anatomia das segundas-feiras
Nada a ver com o rock homônimo que fez sucesso há tempos. Também não gosto das segundas-feiras e tenho excelentes motivos para isso. É o dia em que todos os chatos do mundo saem das tocas, infestam ruas, montanhas e vales da vida: é uma invasão, um apocalipse now.
Após o fim de semana dedicado a refletir sobre a necessidade de fazerem alguma coisa – já que até então nada fizeram senão aborrecer os outros e a si mesmos – os chatos decidem a cada segunda-feira iniciar o futuro que começa a cada dia, a cada semana e, em especial, a cada segunda-feira.
Essas resoluções nascem da fossa crepuscular dos domingos. Tão logo o Sol se levanta na segunda-feira decisiva (que são todas elas), eis que a turba se ergue dos túmulos da mediocridade existencial e sai à cata das oportunidades, da concretização dos propósitos. É na segunda-feira que todos os que ainda não chegaram lá se repõem em dia com velhos projetos, antigas ambições. Dessa vez vai. Ou melhor, dessa vez vão.
Vão é poluir a vida dos outros. Procuram amigos e ex-amigos, fazem sondagens no mercado, forçam coincidências. Na terça-feira o entusiasmo diminui, acaba na quarta-feira e no resto da semana tudo volta ao que era antes, exceto nas sextas-feiras, quando os mais insistentes buscam reatar os contatos, tentam um replay, uma avaliação das possibilidades ameaçadas na segunda-feira. E forçosamente transferidas para a segunda-feira seguinte.
A sabedoria ancestral dos judeus ensina que não se deve começar nada de importante nas segundas-feiras. É o dia que os antigos dedicaram à Lua, um cadáver astral que rola em torno da gente, inútil e deletério, que serve somente para influenciar as marés e o ciclo menstrual das mulheres.
Por tudo isso, acho que houve engano dos historiadores quando afirmam que Cabral avistou o Brasil num domingo. Deve ter sido numa segunda-feira”. (Carlos Heitor Cony, “Crônicas para ler na escola”, Objetiva, 2009)
ítalo.
Marcadores
carlos cony,
croniquetas
| Reações: |
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
Tête-à-Tête: uma questão de respeito
Isso de terapiar é foda. Não é verbo, mas a gente faz ser. Porque é uma ação. E algumas reações. Mexe com tudo. Em você e nos arredores, nessas arestas de vida que a gente deixa por onde passa. (Inevitável, se até ficar parado é uma forma de agir e reagir perante o mundo, dizem). Tô há seis meses mexendo e remexendo em mim mesmo e, por tabela, num punhado de gentes e de vivências. Encarando meus próprios demônios, é o que costumo dizer. Muitas orelhas devem estar queimando e avermelhando.
Eu terapio, tu terapias, nós sofremos. Mais ou menos porraí, uma vez que, ao escolher terapiar, é feita também a escolha de cutucar aquilo que muito bem está guardado dentro de si – por mais que a primeira impressão ou busca seja por algo recém-vivido, geralmente muito dolorido. Parece autoflagelação, mas está longe disso. Pra mim, por experiência própria, está relacionado a desconstruir para reconstruir. Só sentindo para saber, óbvio.
(Este é o momento da crônica em que adiciono o clichê da semana: quem é que não cresce com o sofrimento?).
Quem consegue viver sem os clichês, não é mesmo, Woody Allen?
O futebol era uma forma de terapia para mim. Livros e filmes e música e estar com amigos são formas de. Mas formas paliativas. Enquanto eu não me concentrei naquilo que está dentro, e não nesses paliativos externos – que são muito importantes também, por uma questão simples de que estamos inseridos em um meio social do que não podemos fugir, a não ser fazendo como o personagem do filme “Na natureza selvagem” – eu não consegui encontrar alguma forma de equilíbrio em mim mesmo. Agora é um processo que eu chamo de tijolinho por tijolinho. Não chega a ser surreal.
De repente, tornei-me muito imagens, graças à terapia. Visualizar um tijolo sendo colocado de cada vez como parte de uma estrutura se formando em si mesmo é algo recorrente. Também não chega a ser ilusão de ótica. Não chega a estar relacionado a um plano espiritual. É concreto no sentido de se sentir mais fortalecido a cada sessão, de olhar para si e para os arredores, de variar o que está dentro e o que está fora, de relacioná-los, e, principalmente, de se respeitar.
Terapiar é o caminho de maior respeito para consigo mesmo. E se respeitar é a base mais sólida que alguém pode ter.
ítalo.
Marcadores
croniquetas,
terapia
| Reações: |
terça-feira, 17 de janeiro de 2012
Entre clichês de virada de ano
Tem isso de virar o ano e todos desejarem uma mudança de vida. É muito mais desejo do que prática, com exceção das tradicionais: vestir branco e pular sete ondas. Há até quem vista cores claras e pule na piscina como forma de, por tabela, ser agraciado pela rotina. Eis um paradoxo de tal festividade, a busca por mudança através de um gesto repetitivo a cada dia 31 do último mês, um sinal clássico de quem concentra em um minuto todas as possibilidades – e impossibilidades – de mudar de vida.
É uma dimensão que eu não alcanço. Chego quase ao extremo de levar tal data como apenas mais uma de tantas já vividas, mas o ambiente familiar me coloca em bonitas situações de confraternização – e aqui não há ironia nenhuma no dizer. Um jantar e um estar entre gentes papeando é o que me agrada, puramente pelo compartilhar desse estar, pouco me atentando ao tal dia.
Eu não desejo feliz natal e me esqueço do tal feliz ano novo.
É ano velho, é ano novo, são pouquíssimos dias para cair na armadilha de que tudo mudou e de que, portanto, a vida também é nova. Podemos entrar na esquina do clichê “a vida muda todo dia, toda hora” ou desviar para o clichê desta crônica, “não é em um dia que se resolve uma vida”, e assim abraçarmos o clichê mundano de que tudo se resume a uma série de acontecimentos que se bifurcam em algum momento.
Já são duas semanas e eis a primeira crônica. Que surge das lembranças desse longo período de férias (ser professor tem disso também), em que a ausência de rotina deu o ritmo diário, em que não faltaram programas diferentes daquilo que se faz durante o ano, em que revi pessoas há tanto não sentidas presencialmente, e ainda conheci gentes lindas e suas vivências compartilhadas em rodas de conversas.
Daqui em diante, aos poucos, a volta aos dias rotineiros de trabalho e afazeres aleatórios. É preciso tanto trabalhar quanto ir ao bar, tanto se aquietar quanto interagir, tanto concentrar todas as energias num instante quanto espalhá-las por direções nem sempre conhecidas. É algo mais ou menos assim isso de viver, com acentuadas margens de erros.
quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
Entre o encanto e o incômodo durante uma leitura
Às vezes eu me incomodo por me incomodar com trechos e expressões, em livros, músicas ou filmes, que a mim soam como verdadeiros clichês – mesmo concordando com o Bóris (sim, de novo ele) na ideia de que às vezes um clichê é a melhor forma de expressar algo. Eu não sei se isso é chatice, se é criticidade em excesso, se é não sei o que é. Mas me incomodo, é fato.
Há uma história que considero belíssima – com uma penca de escorregões que me assustam. Escrita pelo espanhol Jordi Sierra i Fabra, “Kafka e a boneca viajante” parte de um fato real envolvendo o escritor Franz Kafka para alcançar uma criação literária que destaca o encantamento que a palavra pode exercer (ou ter).
Segundo Dora Dymant (então esposa de Kafka), um ano antes de morrer, seu marido, passeando pelo parque de Steglitz, em Berlim, deparou-se com uma menina chorando porque havia perdido sua boneca. Para acalmar a garotinha, Kafka disse que a boneca fora viajar, e que ele sabia disso porque era um carteiro de bonecas, que inclusive já tinha uma carta de Brígida (o nome da boneca da menina) para entregar a Elsi. E assim pelos dias seguintes, Kafka se encontrava com a menina no parque e lia a ela as cartas que Brígida lhe enviava, de todos os cantos do mundo.
Jordi Sierra i Fabra recria neste livro estar cartas, que se perderam por aí. E constrói uma narrativa que envolve o leitor, com um mistério fino nos curtos capítulos, estes que são pensados cuidadosamente, tornando-se elemento de diálogo para a leitura: “Primeiro sonho: a boneca perdida; Segunda fantasia: as cartas de Brígida; Terceira ilusão: o longo percurso da boneca viajante; Quarto sorriso: o presente”. Dentro destes quatro capítulos, cada texto é uma letra do alfabeto.
Não é fator determinante para a compreensão da história saber que Kafka não teve filhos e não desejava isso, mas é algo que aparece muito no texto da história, assim como referências a este como lidar com um universo infantil que de repente surge diante de si.
Também, é possível se deparar com trechos que clareiam o quanto a literatura e o trato com as palavras podem transformar um ser humano. Primeiro, como eternidade: “Um dia, quando ela deixar de lhe escrever, nós duas vamos saber que nunca chegaríamos tão longe uma sem a outra. Viveremos cada uma na memória da outra, e isso é a eternidade, Elsi, porque o tempo não existe para além do amor”. Segundo, como necessidade: “A infância é o tempo de acreditar em bonecas. É na infância que existem os finais felizes. Mas são muito mais necessários na maturidade os carteiros capazes de receber cartas que só um louco é capaz de escrever”.
Mesmo com esse caminho de bom texto, levo sustos a cada releitura que faço, ao me deparar com frases como: “Bonita como a primavera da vida”; “Quando a vida floresce, tudo são janelas e portas abertas”; “A pena voava com muito mais liberdade e as palavras tinham se encadeado como uma longa trança de emoções e sentimentos”. Frases que me levam mais a temer metáforas do que a apreciar tal figura de linguagem. Como leitores que somos, acabamos por marcarmos nossas leituras com aquilo que já lemos. Óbvio. Continuarei me incomodando, parece-me.
ítalo.
segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
quase, quintana
mas assim continua não dando liga.
"O poema
O poema
essa estranha máscara
mais verdadeira do que a própria face..."
_ _ _ _ _
"Hoje é outro dia
Quando abro cada manhã a janela do meu quarto
É como se abrisse o mesmo livro
Numa página nova...".
ítalo.
"O poema
O poema
essa estranha máscara
mais verdadeira do que a própria face..."
_ _ _ _ _
"Hoje é outro dia
Quando abro cada manhã a janela do meu quarto
É como se abrisse o mesmo livro
Numa página nova...".
ítalo.
Marcadores
haicais,
palavras emprestadas,
quintana
| Reações: |
Assinar:
Postagens (Atom)

